Porto de Rio Grande mira o Mercosul

Terminal tem projetos para UY, AR e PRY... Porto seco desembaraçará questões alfandegárias para Rio Grande...
Neste ano, o Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, tem acumulado bons resultados, somente no primeiro trimestre, o terminal movimentou 6.321.611 toneladas de carga total alcançando um incremento de 24,78% em relação ao mesmo período de 2010. A perspectiva é de que a estrutura portuária receba 12 milhões de toneladas de grãos neste ano. Somado a estes bons resultados, o terminal deve ganhar um corredor logístico interligando Rio Grande ao Porto Seco de São Luiz do Gonzaga, também no Estado, que está em processo de viabilização.
Na semana passada foi realizada uma audiência pública para discutir a implantação do empreendimento na cidade do interior gaúcho. Estiveram presentes Dirceu Lopes, superintendente do Porto de Rio Grande, Mano Changes, deputado estadual, e membros de uma comissão do Mercosul. A razão dos representantes do Bloco participarem do encontro é que a nova estrutura otimizará o escoamento da produção paraguaia pelo terminal rio-grandino.
O porto seco utilizaria incialmente as instalações do Cesa (Companhia Estadual de Silos e Armazéns), que não estão sendo aproveitadas, para o armazenamento dos grãos. O transporte para Rio Grande seria feito pelo modal ferroviário. Além disso, de acordo com Lopes, todo o processo alfandegário seria realizado no próprio local.
A movimentação portuária rio-grandina com este corredor não teria grande impacto já que 95% dos grãos no Estado são exportados por lá, inclusive a produção são-luizense. O superintendente afirmou que mesmo que o porto venha a ter acrescido nas suas operações 1,2 milhão de toneladas da safra paraguaia, isto não demonstra grande avanço em termos de cargas totais movimentadas, no entanto, ressalta as facilidades logísticas com a implantação do novo empreendimento. “Com o porto seco haverá o desembaraço alfandegário no próprio local, assim receberemos a mercadoria pronta para exportação isso diminuiria os custos para nós”, explicou.
Embora o projeto em São Luiz Gonzaga integre efetivamente, como país do Mercosul, apenas o Paraguai, outros planos do Porto envolvem mais de uma nação do Bloco. Segundo Lopes, há um início de conversa com os terminais de Montevidéu, no Uruguai, e Buenos Aires, na Argentina, para a interligação com Rio Grande.
O superintendente explica que as áreas portuárias da Bacia do Prata possuem um calado menor do que a estrutura rio-grandina, assim os terminais portenhos têm um gargalo no recebimento de embarcações maiores. Com a integração do porto brasileiro com o uruguaio e o argentino, os navios de grande porte poderiam atracar no terminal de Rio Grande e a mercadoria seguiria de lá para Buenos Aires e Montevidéu em barcos menores.
Lopes afirma que esta cooperação com os demais terminais nacionais ou internacionais é importante para o complexo portuário. “Queremos ser um porto de concentração de mercadorias, não precisamos ser concorrentes a todo momento dos outros, podemos ser complementares em algumas ações”, finalizou.

Fonte: Valor

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