Tempo de viagem pode ser maior via trem...Um encontro realizado pela Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) reuniu especialistas da área para realizar uma análise crítica do projeto.
Na ocasião, Cláudio Senna, presidente da Artificium Tecnologia Ltda., apontou que a velocidade do “Trem-bala” é só um fator em meio a tantos outros que determinam o tempo total de viagem entre as duas metrópoles.
“As pessoas estão empolgadas com a questão da velocidade, o que é natural, mas se esquecem de pontos importantes como o tempo gasto em ‘check in’ e ‘out’, espera para embarcar e os procedimentos de embarque e segurança, tanto das pessoas quanto das bagagens”, aponta.
Neste aspecto, segundo um projeção do executivo, somando todos estes procedimentos, uma pessoa gasta, em média, quatro horas e meia com a ponte aérea Rio/São Paulo. Com o TAV, que viajaria a 350 quilômetros por hora, seriam gastos cinco minutos a mais.
“Os defensores deste projeto tem afirmado que o TAV auxiliaria a enfrentar o problema estrutural dos aeroportos, reduzindo alguns voos, mas há maneiras mais baratas e eficientes de lidar com este problema”, conclui.
Quanto à rentabilidade e viabilidade econômica do projeto, Josef Barat, presidente do Conselho de Desenvolvimento das Cidades, afirma que o transporte entre as duas capitais por meio do TAV não é financeiramente atraente.
“A maior rentabilidade do trem-bala seria obtida no trecho São Paulo/Campinas”, indica. “O trecho São Paulo/Campinas/São José dos Campos seria o segundo mais rentável, e o Rio de Janeiro/Resende o terceiro.”
Para Carlos Schad, presidente da ADTP (Agência de Desenvolvimento Tietê Paraná), o problema não se restringe ao tempo ou a rentabilidade do trajeto, mas também abrange o local onde a estação está sendo construída.
“Os executivos que formariam a clientela fixa do TAV não estão na Zona Norte, estão na Sul e na região da Paulista”, aponta. “O município terá que investir muito na reestruturação da Zona Norte, praticamente construir uma nova cidade se quiser que o projeto dê certo.”
Rogério Belda, vice-presidente da ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos), concorda que a estação do trem-bala será construída em local inadequado, porém por motivos diferentes.
“A estrutura desta estação é semelhante a de um aeroporto, e contará com um fluxo intenso de comida, cargas e serviços de manutenção pesada”, esclarece. “Está estação deveria ser construída na periferia, não no centro da cidade”, pontua.
Em relação aos recursos a serem aplicados na obra e a rentabilidade do projeto, Belda acredita que estes são pontos menores no debate. “Eu vejo muitas pessoas falando que seria melhor aplicar este dinheiro em transporte urbano, que poderíamos fazer 350 quilômetros de metrô, mas o dinheiro não é do Governo. O Governo vai financiar, mas os recursos são dos empreendedores”, comenta.
E finaliza: “o que ninguém está pensando é o desenvolvimento econômico e tecnológico que a ligação das duas maiores metrópoles brasileiras iria trazer”.
Fonte: WebTranspo
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